terça-feira, julho 18, 2006

Criptogâmico (reflexão sobre o sexo dos anjos)

Aprimorei-me para o jantar. Não é todos os dias que se é convidada para jantar fora!
Optei por um vestido em detrimento das habituais calças de ganga. Entre hesitações e consultas ao espelho lá descortinei o clássico vestido preto com o qual nunca me comprometo. Curioso! Estou mais magra. Na impossibilidade de o vestido ter alargado e descrente na teimosia da balança electrónica, que calcula constantemente números pouco credíveis (por certo não se dá bem com as humidades próprias da casa de banho), lá fui, confiante do êxito da malfadada dieta, que me refreia prazeres gastronómicos atrevidos e me deixa na boca salivas indesejáveis.
Perante o facto, senti-me descomprometida na escolha da ementa - hoje vou comer o que me apetecer, sem subterfúgios nem receios - o que eu queria mesmo era um arroz de míscaros, mas não estamos na época e mesmo se estivéssemos, provavelmente não fariam parte do menu, pois tais fungos já não fungam como fungavam antigamente. Pelo menos na quantidade de outrora.
Ainda me lembro dos passeios às matas vizinhas remexendo musgos e carumas na certeza do almoço que, de regresso, a minha avó materna preparava cuidadosamente, não fosse a neta confundir os cogumelos sãos com outros impróprios e acabarmos todos liquefeitos na casa de banho. Também colhia sanchas(?), uns cogumelos cor de laranja que, embora comestíveis, eram perigosos se tivessem verdete. Estes eram objecto de um tratamento especial, receita ancestral. Consistia em fritá-los juntamente com uma colher de metal. A característica do metal atraía os possíveis resquícios de verdete, que por efeito do calor se separava dos filamentos interiores da sancha. De quando em vez encontrava uma variedade da qual desconheço o nome técnico, mas muito apreciada. Esbranquiçados e sarapintados de castanho, apresentavam, quando novos, o chapéu ainda fechado sobre si próprio sob a forma de bolbo; quando feitos, um chapéu largo com uma profusão de castanho superior ao branco; o seu caule alto e branco possuía um anel gracioso também acastanhado. Eram óptimos, fritos ou grelhados só com uma pitada de sal (eu conheço-os simplesmente por tortulhos).
Dou comigo a falar no passado como se já não houvessem tais acepipes. Claro que ainda os há. Eu é que não tenho nenhuma neta que os vá desencantar.
Bem… vou ficar pelo cabrito assado, que me sinto magra. Bom apetite e bons repenicos.

10 comentários:

Cingab disse...

Gosto de apanhá-los, mas não gosto de comê-los
:p

Galinha Riça disse...

Olá Cingab
Deve ser por não terem sexo :D :D

Cingab (ou alguém que saiba)
sabe qual é o nome técnico ou popular dado aos tortulhos altos e de copa grande que eu refiro no texto

Cingab disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Cingab disse...

O nome popular no centro e norte de Portugal é mesmo Tortulho. O nome técnico é Agaricales Macrolepiota spp.!... Não sei por que "raio" quer saber isso, mas!...

Quanto à piadinha sexual, vai-me desculpar mas não gostei... Há muitos outros seres vivos que não têm sexo e até os como!...
Dir-lhe-ia, no entanto, que lá para os lados do Porto um tortulho pode ser um murro!... E também há por aí mulheres que apreciam (ou não) um bom tortulho... Aqueles de pescoço alto e "copa" grande, se bem que isso, segundo dizem as entendidas, não é primordial! :D

Galinha Riça disse...

Obrigada. Pensei que tivessem um nome popular conhecido que não me tivesse ocorrido. É que tortulho é designação genérica e não aquela espécie em particular. De qualquer das forma eu gosto de tortulhos, não os do Porto.

Quanto à piadinha foi uma mera alusão à particularidade destas plantas criptogâmicas, que me alertaram para a similaridade existente com a maior parte dos berloquistas que por aí polulam. Não têm sexo - daí a pretensa ironia do título.. Não é o seu caso, porque o seu género está devidamente identificado, mas pode perfeitamente ser o nosso, como já fez questão de insinuar.

Brruu (os uu são o que eu encontro mais perto de penicos)

Achadiça disse...

não me venham com essa conversa do sexo indistinto outra vez. já não há pachorra... ó cris qualquer dia tiramos uns nús e pespegamos com eles aqui :D

Sr. Fulano Tal disse...

Sexo e cogumelos? Isso não é alucinogénico?! :P

Cumprimentos

Galinha Riça disse...

Achadiça
Uns nús!!! Vossos... aqui!
Pagava para ver, lol

Sr Fulano

Uma overdose de sexo até que não era mau. Até admiro a Achadiça não ter pegado na deixa... deve andar ocupada com a máquina nova da louça

Cristalinda disse...

Nús!
Lamento mas ainda não fiz a depilação... fica para o fim do verão.
Tostadinha devo passar despercebida. Ó Riça volta lá à dieta se queres ficar na fotografia!
B~~

António disse...

galinha riça,
obrigado pela visita.

às "mulherio de Canas de Senhorim"
votos de GRANDES sucessos, nos jantares e no berloque.