
Sinto-me seca por dentro… e amedrontada, mas não me dói nada, estou completamente encortiçada.
Sempre achei fascinante a expressão “sensação de cortiça”, aplicada ao efeito da anestesia que o dentista nos aplica. O facto é que é bem conseguida, certamente pelo aspecto leve e rijo da cortiça. É a sensação de leveza e rigidez que a anestesia provoca que induz a comparação.
Pois é, e eu hoje sinto-me encortiçada. A rigidez ainda a compreendo, agora a leveza é-me completamente estranha. Creio que é uma leveza enganadora, o peso ludibriado pelo alheamento dos sentidos, uma forma inconsciente de suportar a angústia.
Por quanto tempo durará? E qual o poder desta estranha anestesia, que tende a libertar a dor oculta e a iludir a mágoa instalada? Tenho medo que o caldo se entorne, que a rede se rompa e que de repente todo o meu corpo ceda à tentação do abismo. Ir por aí a baixo e deprimir nas entranhas do sofá, ser eu própria o sofá.
Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!
MSC
Sempre achei fascinante a expressão “sensação de cortiça”, aplicada ao efeito da anestesia que o dentista nos aplica. O facto é que é bem conseguida, certamente pelo aspecto leve e rijo da cortiça. É a sensação de leveza e rigidez que a anestesia provoca que induz a comparação.
Pois é, e eu hoje sinto-me encortiçada. A rigidez ainda a compreendo, agora a leveza é-me completamente estranha. Creio que é uma leveza enganadora, o peso ludibriado pelo alheamento dos sentidos, uma forma inconsciente de suportar a angústia.
Por quanto tempo durará? E qual o poder desta estranha anestesia, que tende a libertar a dor oculta e a iludir a mágoa instalada? Tenho medo que o caldo se entorne, que a rede se rompa e que de repente todo o meu corpo ceda à tentação do abismo. Ir por aí a baixo e deprimir nas entranhas do sofá, ser eu própria o sofá.
Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!
MSC
10 comentários:
Resistência.
Já não bastava uma deprimida agora temos duas... deve ser falta de milho, lol
António, tão lacónico.
Acha
Podemos mudar o nome do berloque: "As Deprimidas", um berloque em mau momento.
Do post anterior dispenso a resposta à pergunta
"Como serão as próximas cenas ?";
dá p´ra imaginar.
Mas isso passa
...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!
Eu não vou, mas isso é mesmo para todos??
Então estás mesmo malzinha!!
As melhoras sinceras!
Há dias assim, mas não acreditem em tudo o que para aqui se escreve, algumas coisas são meros exercícios de escrita, ou falta de imaginação... ou excesso, depende do ponto de vista. Para já estou bem acompanhada, lol... e desta vez é verdade
lol
Brincalhona esta nossa amiga
Preserverança.
Cris, não é o blog, tu é que andas anestesiada desde o carnaval, e eu bem sei porquê...
Enviar um comentário