E lá se passou mais uma Feira (Viagem) Medieval, desta vez com sol, camarotes, barreiras, cavalos e demais bicharada, sendo que os camarotes ficaram reservados para os altos dignitários da realeza política que se dignaram visitar-nos. Bem, visitar-nos não é o termo, pois para isso têm todo o ano e não põem cá os pés, portanto, digamos que vieram diplomaticamente apalpar o terreno e estabelecer cordialmente uma base negocial (e operacional) para presentes e futuras conspirações eleitoralistas.
À boa maneira portuguesa nada melhor do que, entre uma febra e um copo de vinho, discutir negócios, que é o mesmo que dizer, traçar orientações para governar esta plebe mal agradecida.
Mas é festa, não há lugar a rancores nem dissonâncias. Vai daí, presta-se a populaça à respectiva vénia, ao fim e ao cabo o dinheirinho chegou disfarçado de bodo, há que comer e beber que a festa é brava…
Depois vem a cultura! Ai a cultura, tão bonitinha, tão mal-tratadazinha: uma panóplia de referências anacrónicas onde artefactos made Hong-Kong aliados à crendice das fitinhas brasileiras da Nª Sª do Bonfim competem vorazmente com materiais mais ou menos fidedignos. Mas pronto! Ninguém repara, e os que reparam esboçam um sorriso de compreensão, afinal isto não é um museu, é uma recriação.
Deitando contas à vidinha andava o tesoureiro-mor, andarilho dos sete-caminhos, diplomata capcioso. Obviando as dificuldades no apuramento dos impostos régios aboliu corvélias, talhas e capitações, e substituiu-as por um imposto único “por conta” cobrado aos mercadores nómadas que por cá se instalaram. Devidamente recolhido pelo cobrador-real há-de reverter sabe Deus para quem, que esta vila não é franca para ninguém.
Assegurar absoluto rigor nesta crónica é difícil, mas daí não vem mal ao mundo, sobre a "tourada medieval” cada herege acrescenta o que quer que da inquisição já nada há a temer.
1 comentário:
Ó Riça esta crónica saíu-te um bocadito de esguelha!!!
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