
Pesam-lhe as pálpebras, não sei se do cansaço da vida se do tédio mundano dos copos. Já o vi desperto, a alinhar duas palavras, poucas vezes admito, e a cada uma das vezes mantive a esperança duma conversa, mas não, ele não está para isso, quer que as palavras, as conversas, os outros e ele próprio, se calhar, vão para um sítio que ele lá sabe. De resto, nem a vontade de mandar tudo isso para esse lugar o tira do silêncio… olha sobranceiro e às vezes sorri, como se detivesse uma verdade superior, inatingível à desprezível condição a que nos remete.
Gosto de ler as coisas que escreve nos guardanapos, são pequenas frases, às vezes estende-se em raciocínios mais profundos, chama-lhes escarros. Angustia-me na clarividência.
Gosto de ler as coisas que escreve nos guardanapos, são pequenas frases, às vezes estende-se em raciocínios mais profundos, chama-lhes escarros. Angustia-me na clarividência.
Às vezes o escarro dos poetas é verdadeiramente desconcertante.